segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

[Filme] Jack Ryan: Agente Sombra (2014)



Jack Ryan, outrora uma saga de sucesso em Hollywood nos anos 90, com os famosos filmes Caça ao Outubro Vermelho e Jogos de Poder, é a mais recente vítima do fenómeno Reboot que se instalou na indústria cinematográfica nos últimos anos.

Nesta nova adaptação, um dos acontecimentos mais chocantes dos últimos anos, o 11 de Setembro, acompanha a evolução deste agente secreto até à actualidade. Disfarçado como um corrector da Bolsa e influenciado fortemente pela CIA, Jack Ryan tem de encontrar movimentos monetários irregulares no mercado das acções. Ryan descobre uma transacção suspeita que leva à descoberta de um ataque terrorista iminente.

Aproveitando a ideologia da guerra fria, a eterna disputa entre o Capitalismo e o Comunismo, a narrativa tira proveito da grande tensão que existia entre as duas super-potências e cria um enredo previsível que mais uma vez, mantém a tendência dos Russos como os maus da fita em Hollywood. 

Lê a crítica completa no Espalha-Factos: "Jack Ryan: Agente Sombra – O típico filme de acção"

6,5/10


domingo, 9 de fevereiro de 2014

[Filme] The Game (1997)


Dois anos após o lançamento de Se7en, David Fincher volta a pregar-nos às cadeiras com o mirabolante The Game (O Jogo). Tal como é costume neste realizador, somos apresentados a um mundo que desafia a nossa sanidade mental e nos deixa sem fôlego à medida que a realidade vai ficando cada vez mais distorcida. 

Nicholas Van Orton, é um milionário atormentado pela solidão. Quando completa 48 anos, o seu irmão Conrad ,(Sean Penn) decide trazer um pouco de luxúria e animação, oferecendo um cartão de uma empresa - Consumer Recreation Services - que organiza um jogo obscuro criado à medida dos participantes e que não tem qualquer tipo de regras. Céptico e sem saber onde se estava a meter, Nicholas decide entrar neste jogo doentio e vê a sua vida pacata, a ser invadida com fenómenos estranhos e um pouco macabros. Sem conseguir distinguir o que é real do que é ficção, Nicholas vê-se preso num esquema que controla tudo e todos.


Fincher capta a nossa atenção logo nos primeiros dez minutos do filme ao acelerar a história para o ponto principal. Esta estratégia impede que o espectador desvie o olhar do ecrã durante uns breves segundos porque pode perder informação crucial para entender o enredo. 
Tal como Nicholas, nós também somos engolidos naquele misto de realidade e ficção, e a nossa mente começa-nos a pregar algumas partidas. Será que aquela cena foi real? Ou foi só um sonho? 
Sem conseguirmos distinguir a validade e a lógica das coisas, damos por nós presos no Jogo e temos de ir juntando as peças para perceber como é que se pode invalidar este esquema tal como o personagem principal do filme.

Este sentimento de incerteza que, aos poucos, vai invadindo a mente do espectador, é agravado e explorado pela actuação surpreendente de Michael Douglas. Calmo por natureza e um pouco fora do seu domínio, Douglas surpreende no papel do milionário e alcança o papel de uma carreira. A sanidade mental do actor é fortemente posta à prova e isso permite alcançar várias camadas psicológicas do personagem: ironia, desespero, medo e a violência. À medida que o Jogo avança, Nicholas sofre uma grande transformação.

Tal como já é habitual, David Fincher opta por uma realização brilhante que foca o plano no personagem principal e dá ênfase a pequenos pormenores que existem no background, proporcionando a ideia de desordem e que um determinado objecto vai ter de ser utilizado mais a frente no Jogo. É uma estratégia simples mas que funciona na perfeição porque, após uma segunda visualização, percebemos detalhes que nos podiam ter ajudado a resolver o quebra-cabeças.
A música de Howard Shore (conhecido pela fantástica banda sonora da trilogia Senhor dos Anéis e vencedor de três Óscares) é subtil, confusa e só serve para nos desorientar ainda mais a cabeça. Sempre inquietante, acompanha o desenrolar dos acontecimentos e ajuda a instaurar o pânico nos momentos mais importantes.

Esta é uma longa-metragem que passa ao lado de muita gente - por ser um dos trabalhos iniciais do realizador - mas que merece a vossa atenção e acaba por ser surpreendente. É um thriller mais que recomendado.
Posto isto, desafio-vos a entrarem na mente preversa de David Fincher e a experimentarem este cenário paranóico...

9/10

sábado, 1 de fevereiro de 2014

[Filme] Dallas Buyers Club (2013)


Matthew McConaughey nem sempre teve a crítica (e o público) do seu lado, e a verdade é que nunca fez muito para contrariar isso. Assinava papéis em filmes de segunda ou terceira linha (estou a ser simpático?) e pouco mais se via dele. Agora, numa espécie de contra-corrente, Matthew tem invertido o rumo à sua carreira e 2013 (embora a inversão de marcha venha já desde 2011) parece ter confirmado uma nova tendência na vida do rapaz de Texas. A entrada num dos filmes do ano (The Wolf of Wall Street) e o papel principal em Dallas Buyers Club são exemplos de que McConaughey deixou de brincar às comédias românticas e passou a querer afirmar-se como um dos principais actores da actualidade (o Globo de Ouro e a nomeação para um Oscar falam por si). Vamos então ao filme.

Dallas Buyers Club, traz Matthew McConaughey como nunca o vimos antes, com uma perda de peso que faz lembrar o que Christian Bale passou em The Machinist, de 2004.
A acentuada mudança corporal é necessária para dar um maior realismo ao filme, pois Ron Woodroof (Matthew McConaughey) é um doente de SIDA que leva uma vida boémia, com explosivas misturas de álcool, sexo e drogas. Quando descobre a sua doença (conhecida na altura, em '85, como a doença dos faggots) o seu estilo de vida começa a pouco e pouco a mudar e a transformação da personagem é acentuada. O cowboy homofóbico passa a conviver regularmente com homossexuais, sendo que Rayon, um transsexual (protagonizado/a por Jared Leto), acaba por se tornar no grande parceiro de vida e de negócios de Ron.
Ron Woodroof, insatisfeito com os medicamentos receitados pelos médicos, vai ele mesmo à procura de soluções, e desde o México à Ásia luta por medicamentos que realmente ajudem os pacientes de SIDA, ao invés de apenas destruirem o organismo dos doentes. Começa assim a batalha entre Ron, que funda o clube que dá nome ao filme, e a FDA, que não quer permitir que Woodroof ganhe dinheiro com medicação alternativa à dada nos hospitais.


A grande prestação da dupla central - Matthew e Leto - leva o filme às costas. Entre a luta contra o sistema e a relação entre os dois está o ponto-chave do filme. É difícil apontar defeitos quando nos contam uma história que realmente existiu (tirando algumas partes fictícias) e por isso é complicado dizer que x coisa podia ter sido contada de outra forma, mas a verdade é que se nota um quê de americanice escusada, mesmo quando o filme e a sua história vão precisamente focar a luta de um homem contra o sistema americano que sobrepõe os ganhos económicos à saúde das pessoas do seu país.

8/10 
(O mais normal é pelo menos um Oscar ir parar por aqui, entre Matthew e Leto, pelo menos um dos dois deve ser premiado, sendo que nos Globos de Ouro deste ano ambos saíram vencedores.)