domingo, 10 de março de 2013

[Filme] "O Lado Selvagem" (2007)

Vi este filme há 24 horas atrás e ainda não digeri bem a sua mensagem. Falta-me a capacidade para exprimir aquilo que mais me impressionou e chocou emocionalmente. Aqui fica a décima tentativa....


Baseado numa história verídica, "O Lado Selvagem" conta-nos a história de Chris McCandless (interpretado por Emile Hirsch) que após acabar o seu curso, abandona a sua identidade, decide doar 25 mil euros a uma instituição de caridade e parte numa viagem emocionante para acabar com os fantasmas que assolam a sua alma. Pelo caminho, sem que este se aperceba, deixa uma marca profunda em todos os que interagem consigo e uma saudade difícil de explicar.
Chris é um rapaz diferente e é isso que o torna tão especial. O materialismo não lhe desperta interesse, as relações humanas são meramente passageiras e o seu amor é a Natureza. Determinado em encontrar a paz interior, decide embrenhar-se no meio de uma floresta, com uma mochila às costas e pouca experiência, de forma a tentar perceber o mistério do nosso mundo. 

O meu conselho é que leiam primeiro o livro e só depois vejam o filme. É bastante fiel à obra de Jon e consegue acrescentar pequenos detalhes que vos vão deixar surpreendidos. Cada paisagem representa páginas de descrição dos locais que Chris visitou e os diálogos são idênticos aos do livro.
O elo que existe neste filme é magnífico. O enredo adaptado da obra escrita por Jon Krakauer, o filme realizado por Sean Penn e a banda sonora envolvente de Eddie Vedder fazem com que "O Lado Selvagem" assuma uma mensagem dramática e provoque no espectador, um enorme sentimento de culpa. 

Fiquei preso à cumplicidade de Chris e à visão rebelde que este tem sobre a civilização. Ter um emprego é uma invenção do século XX, usar meias é uma obrigação educacional, o mundo cospe naqueles que desafiam as suas regras e os sentimentos de auto-realização são extremamente complicados e levam à tragédia. É um murro no estômago repentino que nos deixa a reflectir sobre o nosso propósito na sociedade e o que podemos fazer para alterar o que está errado.
Faz-me pensar o que poderia ter acontecido se tivesse existido uma maior preparação e atenção aos pequenos pormenores e de que forma poderiam ter alterado o desfecho desta história.

Um filme que aprofunda o estudo sobre os fundamentos da vida e deixa a questão: Devemos realizar a nossa existência em redor do conforto do materialismo ou arriscar viver fora da sociedade e apenas com o que a natureza nos fornece?

9/10

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

[Filme] Stranger Than Fiction (2006)


Will Ferrell (no papel de Harold Crick) é aqui, ao contrário do que estamos habituados, um homem sério e perdido na sua vida. Tem como profissão cobrar impostos, o que faz com que seja odiado por muitos, e que o próprio acabe, por vezes, por si odiar a si mesmo.
A rotina que enfrenta, dia após dia, faz parecer que Harold é apenas mais um cidadão no meio da imensa multidão. E aqui aparece o ponto chave do filme. A verdade é que Harold não é mais um comum cidadão (ou será?) e descobre que a sua vida está a ser narrada por uma voz que aparece no interior da sua cabeça.

Ao saber que é uma personagem na história de alguém, Harold vai procurar ajuda junto de um professor de letras (papel interpretado por Dustin Hoffman), na esperança de perceber melhor o que se está a passar e na tentativa de descobrir quem está realmente a narrar a sua vida.

O filme acaba por deixar uma mensagem sobre a vida e morte, embora indirectamente. A efemeridade da vida, o vazio em que ela se pode tornar, são pontos que passam como mensagem para o espectador mais atento. E é de pormenores que este filme é feito, por isso é necessária atenção para a sua compreensão.

Um filme original, interessante, com um argumento diferente do que se costuma ver. 
Na verdade, somos apenas personagens nesta história contada por alguém. 

sábado, 22 de dezembro de 2012

[Filme] "The Hobbit: An Unexpected Journey" (2012)


Nove anos após o lançamento do "O Senhor dos Anéis e o Regresso do Rei", chega finalmente a história de como tudo começou. Mas será que valeu a pena a espera?

Mal começa o filme, somos logo transportados para a Terra Média, com as melodias suaves e fantásticas que crescemos a ouvir, os cenários estonteantes e as personagens repletas de detalhes. 
A verdade é que Peter Jackson não apresenta dificuldades em regressar ao ambiente mágico criado por J.R.R Tolkien, pois já é um conhecedor nato das características deste mundo. Os fãs agradecem obviamente. 

É neste sentido que começa a longa-metragem, com a casa de Bilbo a ser invadida por um grande número de anões convocados por Gandalf com o intuito de começarem a sua aventura: Recuperar a sua terra-natal que foi tomada pelo Dragão Smaug. A acção é bastante lenta ao inicio ,algo que já se esperava, mas que ajuda a entrar no ambiente e a perceber melhor a história que decorre ao longo do filme. O enredo vai se construindo de uma forma simples e que culmina num grande plano de peripécias ao longo dos 169 minutos.
Algumas coisas que ficaram por explicar na trilogia do "Senhor dos Anéis" vão sendo explicadas, o que nos ajuda a ter uma ideia de como um poder negro foi crescendo na Terra Média. 

A fotografia está mais uma vez impecável assim como a sonoplastia. Estão presentes as famosas cenas de cortar a respiração e o diálogo engraçado entre Sméagol e Bilbo, que me fez lembrar Hamlet por alguma razão em particular.


No geral, Hobbit é um épico que explora muito bem o universo de Tolkien e nos deixa com água na boca para os dois próximos filmes. Peter Jackson, no meio de tantos problemas de pré-produção, conseguiu criar uma obra-prima. Não se esqueçam que em 2013 sai "The Hobbit: The Desolation of Smaug" e um ano depois, "The Hobbit: There and Back Again".

8/10